"Comportamentos inadequados". Meia centena de militares da GNR expulsos nos últimos quatro anos

"Comportamentos inadequados". Meia centena de militares da GNR expulsos nos últimos quatro anos

O tenente-general Rui Veloso diz que "não há lugar para comportamentos contra direitos humanos" dentro da Guarda Nacional Republicana. Na primeira entrevista dada desde que assumiu funções, o líder da GNR revelou que 51 militares foram expulsos por comportamentos desviantes nos últimos quatro anos.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 /

Os militares que não respeitarem os direitos humanos "não têm lugar" na GNR e "terão que ir embora". É desta forma que o comandante-geral da GNR olha para os casos que envolvem elementos desta instituição e com "comportamentos inadequados".

Em entrevista à agência Lusa, a primeira desde que assumiu funções em 2023, o tenente-general Rui Veloso explicou que 51 militares foram expulsos nos últimos quatro anos "por comportamentos inadequados" em serviço e na vida pessoal. Deste número, 13 foram em 2026.
Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1

O responsável máximo da GNR dá como exemplos, no caso da vida civil, de afastamentos por situações de violência doméstica e burlas. E sublinha que as regras da Guarda apontam que "o militar tem que manter uma conduta exemplar dentro e fora do serviço.

Quanto ao último curso de formação, cerca de um terço dos candidatos foram excluídos por terem chumbado na avaliação psicológica. Garante que a GNR "nunca vai facilitar por escassez de efetivos", acrescentando que atualmente está a decorrer um curso com 800 candidatos à guarda e que "já vão permitir um aumento muito importante no efetivo no final do ano".Sobre os casos mais mediáticos que chegaram à justiça e que envolvem membros da GNR, Rui Veloso afirma que são situações pontuais. E vai mais longe quanto à Operação Safra Justa, conhecida no ano passado, em que 10 militares da GNR, atualmente suspensos de funções, são suspeitos de envolvimento num alegado esquema de auxílio à imigração ilegal no Alentejo.

"Naquela situação em concreto, tem que ser averiguada, dar a presunção de inocência às pessoas, porque até ao trânsito em julgado as pessoas são inocentes, mas se ficar aprovado, terão que ser condenadas e exemplarmente condenadas e afastadas da Guarda", aponta.

O comandante-geral recusa tomar a parte por um todo: "Na Guarda não há racismo", afirma, pelo que, num efetivo de 24 mil militares, "não é uma situação esporádica que podemos dizer que é a Guarda toda".GNR quer helicópetros na vigilância contra incêndios
Nesta entrevista à Lusa, o tenente-general Rui Veloso revela que propôs que a GNR possa usar helicópetros da Força Aérea para fazer vigilância nos dias de risco elevado de incêndios, juntando ao dispositivo de drones.

"É muito mais fácil controlar determinadas zonas a partir do ar do que em terra", defende.

O pedido já tinha sido feito em 2025 e volta este ano à discussão: "O ano passado não foi possível fazer essa vigilância através dos helicópteros da Força Aérea, mas este ano voltamos a insistir nessa situação e esperamos conseguir os helicópteros".Rui Veloso sublinha que "ainda não está decidido" se vai ser possível fazer esse trabalho com helicópteros, sendo uma decisão que depende da Força Aérea e Proteção Civil.

Ainda sobre incêndios o comandante-geral da GNR avançou também que este ano vai funcionar no comando-geral da Guarda, no Largo do Carmo em Lisboa, uma célula onde trabalham várias entidades, nomeadamente IPMA, Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) e Proteção Civil, que todas as semanas elaboram um estudo com previsões e itinerários de patrulhamento e vigilância.

Quanto ao combate à sinistralidade rodoviária, após o Governo tomar medidas perante os números trágicos da Páscoa, Rui Veloso deixa agora a expectativa de que a Brigada de Trânsito seja reativada ainda este ano. Isto apesar do trabalho que ainda há para fazer e de ser necessário encontrar um local para a sede da BT.

O tenente-general acredita que "com cerca de 1.800, 1.900 militares" será possível novamente assumir o controlo total sobre os itinerários principais e autoestradas do país.

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